Born in Rio de Janeiro in 1944, Marcos Duprat has a diversified artistic background which includes courses on drawing and painting at the Fine Arts National School and at the workshop of the Museum of Modern Art, both in Rio, during the Sixties. Later Duprat took drawing courses at Waseda University, in Tokyo and, from 1974 to 1977, achieved his master in fine arts with his thesis in painting at the American University in Washington, D.C.

Over the last twenty years, the artist had several solo shows and has participated in several group shows, among which should be mentioned the Tokyo Biennale in 1983 and the IV and V Ibero-American Biennals in 1984 and 1986, at Mexico City. Duprat has paintings in the following collections: Museum of Art São Paulo Assis Chateaubriand and the Museum of Contemporary Art of USP, the Museum of Latin-American Art in Washington, D.C., the Museum of Modern Art and the Instituto Cultural Villa Maurina, both in Rio, Museum of Art of Lima, the Gulbekian Foundation in Paris and Lisbon, the Antonio Mazzota Foundation and the San Fedele Cultural Center in Milan, the Hungarian National Museum, the Mercosul Secretariat in Montevideo, at Palacio Itamaraty, Brasilia, at the Museu de Arte Contemporáneo de Montevideo, as well as in many private collections in Brazil and abroad.

Exhibition

Museu de Arte Assis Chateaubriand
Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB
Fujya Art Gallery
Pinacoteca do Estado de São Paulo
“Genesis of Colors” Siddhartha Art Gallery
Limites/Boundaries” Museu Brasileiro da Escultura – MUBE

1977

    Texto Masp Merquior MASP


    -1988

    Há pelo menos duas décadas, com a fadiga do abstrato, o paradigma da pintura ocidental voltou à imagem. À imagem violenta ou plácida, impessoal ou retratística: daí o triunfo de Bacon ou de Balthus, dos hiper-realistas ou de um Lucian Freud. Mas, como advertiram os primeiros denunciantes da penúria do abstracionismo, o retorno à figuração só ganharia consistência se passasse por um novo rigor da técnica e da composição. Na plástica brasileira dos últimos anos, ninguém encarna esse requisito com mais consciência do que Marcos Duprat.
    Tranqüilamente, alheio ao frenesi neofágico das propostas vanguardeiras, Duprat se refugiou na mais estrita fidelidade ao que ele chama “o enigma da realidade visível”. Esse enigma, os óleos de Marcos Duprat o armam, decifram e rearmam num estilo translúcido, cristalino, onde as mudanças cromáticas sugerem momentos de mágicas metamorfoses. Os planos são dispostos, as camadas superpostas, a cor nasce da “velatura” — um processo colorístico de nobre linhagem, que exige um trabalho em ritmo artesanal, a léguas da herança turbulenta, e ainda tão influente, de Pollock e sua tribo. Uma pintura lenta, em adágio, propícia à meditação do duplo, à ponderação da série, à perquirição da profundidade — todos temas desses óleos peritos em focalizar o prolongamento de uma imagem noutra, o reflexo no espelho ou na água, os corredores engavetados em túnel, a delicada modulação de seqüências.
    Quando ele aborda a figura humana, especialmente nua, Duprat sabe ser tão sereno quanto Balthus — mas sem fazer da cena o prelúdio a um drama de vício e malícia. Quando prefere objetos, o silêncio das formas é tão lírico quanto um Morandi. Suas paisagens — céu e mar, luminosamente brasileiros — tendem a uma harmonia glauca, banhando um equilíbrio de massas leves. Invariavelmente, a tridimensionalidade nele se resolve em fundos de estilizada geometria, estruturando ao máximo a felicidade da figuração.
    Vários retábulos, dípticos e trípticos insinuam certa volúpia na transgressão de limites, logo apaziguada na musicalidade de um espaço suave, acariciante, sublinhando a elegância cursiva do desenho. A luz reverbera nas sombras, um canto do mundo oscila no claro perfil de uma visualidade ambígua, sala, quarto, estúdio esplendem numa espécie de Vermeer meridiano e etéreo, seixos e nuvens avançam e recuam, efebos e “koires” se agacham ou se deitam, imersos em si mesmos — e no seu espelho, real ou imaginário. Plena poesia da imagem, pintura personalíssima, onde o extremo, sábio despojamento encobre um diálogo constante com a melhor tradição figurativa. Marcos Duprat restitui nossa pintura ao reino sedutor da representação articulada, fonte de sonho e devaneio. O visível se faz mistério à força de claridade e transparência. Calmas e límpidas, essas imagens se/nos interrogam. E que é a pergunta, indaga um mestre, senão o desejo do pensamento?

    Os limites de Duprat


    -1988

    Sempre discreto, o diplomata Marcos Duprat, hoje servindo em Milão, transforma-se quando mostra seu lado de artista plástico, A exposição que apresenta a partir de hoje, na GB Arte, é um exemplo: 20 óleos já vistos e bastante elogiados em Nova York e no Museu de Arte Assis Chateaubriand, em São Paulo.
    O catálogo foi confeccionado apenas pela Mazzotta, a grande editora de arte italiana. Há dois anos, Duprat foi capa da prestigiada Arts Review, publicação de enorme repercussão na área artística. O discreto passa a ser uma evidência.
    Ainda atordoado com o Brasil, onde não vinha há dois anos, magoou-se ao ver sua cidade — Rio de Janeiro — em um estado “lamentável”. Esperto que é, logo se recompôs e revelou seu lado otimista de ser. A mostra leva apenas seu nome e a data em que foram feitas as obras: 1985-1988. As cidades-ateliês são Brasília e Milão.
    Os temas de Marcos Duprat continuam os mesmos: a procura do limite, o tempo, a metafísica dispersa dos seres humanos. É um caso único dentro da pintura brasileira, só encontrando paralelo nas investigações de Gregório Gruber.
    —  O que une os trabalhos — diz saboreando um chá — é o limite. Esta é a idéia. Acho que é a postura do limite, o real buscando o imaginário.
    Os óleos, todos medindo l,60m x l,20m, mostram personagens masculinos e femininos totalmente despidos, em situações de reflexão, solidão e até um tanto melancólicos. Em outros trabalhos, o cenário é o interior de um apartamento — hoje um sinônimo de metrópole — despovoado, quase sempre com um espelho — uma referência, por certo, às sombras de Platão.
    —  Acho que são vários momentos de um conceito geral — afirma ele, às voltas com uma prosaica bolachinha. — Ao trabalhar com o interior, de novo é a perseguição do interior.
    Toda obra visual, acredito, é feita para incitar. Talvez mais ainda do que o texto,
    Nestes dois últimos anos, a obra de Marcos Duprat parece ter abandonado um pouco os interiores, para se associar aos objetos, à natureza morta e às nuvens, Nada solto: são elementos que agora povoam suas telas, muitas vezes em uma uníssona composição, — A natureza morta, assim como os objetos, aparecem sob o efeito da metamorfose. Mesmo assim, neles eu retomo o conceito dos interiores.
    Um dos trabalhos — um tríptico —, é batizado de “Céu”. As telas mostram a passagem do tempo, dia-tarde-noite. É a sensação de um pu­nhado de areia na mão com os dedos abertos: o esvair.
    —  A noção do tempo é sugerida pela continuidade. É a passagem — atesta ele, — O dia aparece em vá­ rios horários, vários tempos. A cor é que insinua a mudança das horas.
    Outra parte de sua exposição ano­ta uma cumplicidade com o olho ci­nematográfico. Os trabalhos suge­rem fotogramas, cena a cena, O objeto do desejo são formas geomé­tricas — triângulos, circunferências, por exemplo — ou belas nuvens,
    —  Ê engraçado que, aos 18 anos, fiz desenhos que pareciam fotogramas — e isso voltou agora. O artista tem multo a dizer e, paradoxalmen­te, diz sempre a mesma coisa: sua obra está constamente repetindo os temas, No meu caso, é a contemplação do ser humano, do verso, da capacidade de se ir além. Quando trabalho com o espelho, é uma forma de representação: a busca, o reflexo, o além. Na verdade, é o irreal.
    Marcos Duprat é um artista sem régua e compasso. Quando desenha interiores, mostrando janelas, varan­das, móveis, jamais se utiliza desses instrumentos. Gozado que suas re­tas, então, sejam retas de fato.
    —  Procuro pintar usando a memória. Primeiro, faço um traço e, à medida que vou aplicando a tinta, a reta vai tomando sua forma, seu jeito. Mas às vezes uso modelos vivos, pessoas ou mesmo cenários. E nunca es­queço a passagem do tempo: busco os símbolos do homem, em uma viagem atemporal. O que une tudo é a descrição da luz. Minha pintura é isso. E olha que não é pouca coisa.

    ‘Figura e reflexo’, um dos lápis sobre papel de Marcos Duprat em exposição

    ■ Pinturas de Marcos Duprat, na GB Arte (Ave­nida Atlântica 4.240 — nº. 129 — 267-3747). Horário de visitação: de segunda a sexta, das l0h às 21h. Sábados, das 14h às 18h. Até dia 30. Abertura hoje, às 21 h.

    Revivendo Velhos Temas


    -1988

    De Marcos Duprat se pode dizer que optou por todas as dificuldades. Ele escolheu para si os assuntos que estavam descartados das artes plás­ticas, os que já mereceram a atenção de grandes mestres, os considerados obsoletos e os que pa­reciam nada mais render, já substituídos por epí­gonos eletrônicos. Mas esta não foi a triste sorte de um pintor. Ao contrário. Marcos Duprat sobre­viveu perfeitamente aos seus assuntos e ofereceu ao público uma nova possibilidade de conside­rá-los. Esta exposição no Museu de Arte de São Paulo (av. Paulista, n 1.578) confirma esta histó­ria pessoal do artista.

    Os assuntos de Marcos Duprat são a figura humana, a paisagem e a natureza-morta. Se consi­derarmos que estes assuntos pareciam esgotados no início do século, podemos perceber como foi árdua a tarefa do artista. E, na verdade, ele conse­guiu enfrentar esses assuntos com dignidade, criar um método de ação, um sistema, comum a todos e, o principal, foi capaz de fazer o subja­cente, o seu tema, ser o verdadeiro objeto de interesse da sua pintura.

    Duprat tem um método interessante. Cha­ma-se método esta maneira particular do artista trabalhar, esta forma de abordar o processo de criação, esta relação que se estabelece entre o autor e o objeto de sua atuação. O método, como ponto de interesse, ganhou importância a partir do romantismo e do cultivo do artista como as­tro. O surgimento da figura individual e carismática, astro de comunicação, faz nascer a descrição da vida pessoal e da ação. Acredita-se que saber isto esclarece muito. No caso de Duprat, o méto­do é o homem. Ele trabalha lentamente, as cores nascem por veladuras, através de um longo pro­cesso. É uma maneira da figura amadurecer no ato de ser feita.

    O tema do artista tem sido o do reflexo, a inversão da figura, a figura diante do espelho, a imagem multiplicada pela água. O ser refletido, a discussão da identidade, os momentos de passa­gem, as janelas e portas que se abrem para novos espaços. A luz desenha tudo, é minuciosa e de um suave sofrimento, há uma doce sensualidade que entona a pintura. O percurso da luz é o inte­resse do artista e, às vezes, esta observação se dá diante da água, nos espelhos, ou diante de outro ser. A multiplicação da imagem. Narciso vive.

    As facetas de um tema são infinitas. O artista se encontra em vários assuntos, em inúmeras te­las e, a cada vez, ele pode apresentar novos as­pectos de seu tema. A delicadeza e a sutileza de abordagem fixam a atenção do espectador. Na pequena natureza-morta econtramos o olho de Marcos Duprat e é a mesma visão que o artista tem do nu, do encontro, do reflexo, da paisagem infinita. Aqui se unem, curiosamente, a doçura da natureza-morta e a aspereza da paisagem desérti-ca. Na alma do artista é uma só coisa: o percurso da luz nas sombras humanas.

  • Galeria de Arte do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID -Washington DC
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1979

  • Galeria 9 -Lima Peru
  • Museu de Arte Assis Chateaubriand -São Paulo

1980

  • Brazilian American Cultural Institute Baci -Washington DC

1981

  • Galeria de Arte da Petroperu-Petróleos del Peru -Lima Peru

1982

  • Galeria de Arte Ipanema -Rio de Janeiro

1983

  • Galeria de Arte Paulo Figueiredo -São Paulo

1984

  • ECT Galeria de Arte -Brasília

1985

  • Unidade Dois Galeria de Arte -São Paulo
  • GB Arte -Rio de Janeiro
  • Galeria de Arte Paulo Figueiredo -Brasília

1986

  • Brazilian Center Gallery -London

1987

  • Galeria Bertrand do Chiado -Lisbon

1988

  • GB Arte -Rio de Janeiro
  • Museu de Arte Assis Chateaubriand -São Paulo
  • Elaine Benson Gallery -New York
  • Galerie Debret -Paris

1990

  • Centro Cultural San Fedele -Milan

1991

  • Castelo de Szirák -Budapest

1992

  • National Museum of Hungary -Budapest

1993

  • Galeria O.T.P. Bank -Budapest
  • Galeria Néphaz Játzékszin -Tatabanya

1995

  • Fundação Cultural e Casa Thomas Jefferson -Brasília D.F
  • Museu de Arte Contemporânea MAC/USP, Pavilhão da Bienal -São Paulo
  • Espaço Cultural dos Correios -Rio de Janeiro

1996

  • Galeria Candido Portinari -Buenos Aires.
  • Instituto Cultural Vila Maurina -Rio de Janeiro

1998

  • Renato Magalhães Gouvêa Escritório de Arte -São Paulo

1999

  • Museo de Arte Contemporânea El País -Montevidéu
  • Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB -Rio de Janeiro

2002

  • Teien Tokyo Metropolitan Art Museum -Japan -Tokyo

2003

  • Promo Art Gallery -Japan -Tokyo

2004

  • Fujya Art Gallery -Japan -Tokyo

2005

  • Fujya Art Gallery -Japan -Tokyo

2006

  • Pinacoteca do Estado de São Paulo -Brazil -São Paulo

2007

  • Galeria Marcoantônio Villaça -Belgium -Brussels

2008

  • Centro Cultural Correios -Brazil -Rio de Janeiro

2010

  • Monica Filgueiras Galeria de Arte -Brazil -São Paulo

2013

  • “Genesis of Colors” Siddhartha Art Gallery -Nepal -Kathmandu

2015

  • Limites/Boundaries” Museu Brasileiro da Escultura – MUBE -Brazil -São Paulo

Bibliography

Boundaries
- 2015
Publisher - Museu Brasileiro da Escultura
Marcos Duprat
- 2010
Publisher - ed. J J Carol - São Paulo
Marcos Duprat
- 2004
- Tokyo - Japan
Day Dreams
- 2006
Publisher - ed. Pinacoteca Do Estado De - São Paulo
Marcos Duprat
- 1987
Publisher - ed. Bertranp - Lisboa
Marcos Duprat
- 1990
Publisher - ed. Mazzotta - Milano
Marcos Duprat by Jacob Klintowitz
- 1985
Publisher - ed. Raízes - São Paulo